Bikes da Prevenção: cidadania com alegria

Este ano, o tradicional Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana, que desde 2001 desfila pelas ruas do Engenho de Dentro reunindo usuários, familiares e funcionários da rede de Saúde Mental, além de moradores do bairro e adjacências, ganhou uma ala especial: a das Bikes da Prevenção. O projeto, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio), capacita usuários em tratamento nos serviços de Saúde Mental, tornando-os Agentes de Promoção à Saúde e Redução de Danos. Na prática, isso significa percorrer a cidade em bicicletas, conversando com a população sobre HIV, Aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), especialmente em territórios com alto nível de vulnerabilidade.

“As Bikes da Prevenção transitam por cenas de uso de drogas, como a linha do trem, e locais entretenimento adulto, como bares e boates. Às vésperas do Carnaval, os Agentes de Promoção à Saúde e Redução de Danos sugeriram participar da maior festa da cidade, levando informação sobre saúde e prevenção de IST aos blocos de rua. Adoramos a ideia e inauguramos a ação no Loucura Suburbana. Para o ano que vem, a expectativa é expandir a iniciativa para outros blocos”, conta um dos responsáveis pelo projeto, o psicólogo Rodrigo Simas, assessor da Superintendência de Saúde Mental da SMS-Rio na área de álcool e outras drogas.

Para além do Carnaval

Lançado em dezembro de 2016,  o projeto ‘Bikes da Prevenção: nos entremeios da inclusão, equidade e cuidado’ conta com nove Agentes de Promoção à Saúde e Redução de Danos, que semanalmente se reúnem com a equipe do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas Raul Seixas, no Engenho de Dentro. Nestes encontros, registram o trabalho realizado, compartilham experiências e aprendem sobre os direitos e deveres de quem está em situação de rua e, também, sobre questões de saúde comuns a esta população, como a tuberculose.

“Os conteúdos são sugeridos pelos próprios Agentes de Promoção à Saúde e Redução de Danos, a partir dos desafios que vivenciam nas ruas, no dia a dia de trabalho. Percebemos que esses encontros são muito mais que uma reunião para capacitação ou prestação de contas. O convívio, a troca, a escuta são fundamentais neste trabalho”, detalha Rodrigo.

Os resultados já começam a aparecer – e não somente para quem recebe informações, preservativos e lubrificantes. Os próprios Agentes de Promoção à Saúde e Redução de Danos já estão promovendo mudanças importantes em suas vidas. “O grande legado do projeto é reinserir usuários de drogas na sociedade, por meio do trabalho. Trabalhar é fundamental para se reinventar e reconstruir a vida. Um dos participantes, que vivia na rua, hoje conseguiu alugar uma casa. Uma senhora de 50 anos, que é usuária de cocaína, nos contou que só não consome a droga na véspera de nossa reunião semanal. Tudo isso é muito gratificante”, comemora Rodrigo.

As Bikes da Prevenção já passaram por muitos lugares. Tijuca, Mangueira, Engenho de Dentro, Realengo, Cidade de Deus e Gardênia Azul são alguns deles. Além das cenas de uso de drogas, os  Agentes de Promoção à Saúde e Redução de Danos visitam cafés da manhã comunitários, encontros em igrejas e abrigos, sempre acompanhados de um preceptor.