Estou grávida, como o serviço de saúde pode me acolher?

Num cenário em que as mulheres já nascem com a cultura de que precisam arrumar um bom marido, ter filhos, cuidar deles, da casa e além de tudo trabalhar para ajudar nas despesas ou muitas vezes dar o sustento para sua família – já que 40% dos lares brasileiros são comandados por mulheres, nos deparamos com várias possibilidades em relação à gravidez, da desejada e planejada a indesejada e nem tampouco planejada. Como o Sistema Único de Saúde (SUS) pode acolher uma mulher que não deseja estar grávida?

A maneira em que a mulher recebe a notícia de uma gravidez é subjetiva e pode variar dependendo do momento de vida de cada uma. Segundo orientações do Ministério da Saúde, o profissional da Atenção Básica (AB), ao receber uma usuária com suspeita de gravidez ou atraso menstrual, deverá inicialmente oferecer o Teste Rápido de Gravidez (TRG). É importante conhecer as expectativas da usuária em relação ao exame, para que o resultado possa ser trabalhado, considerando reações e projetos de cada mulher.

Se o resultado do exame de gravidez der positivo e a usuária não desejar a gravidez, a equipe deverá:

– Abordar os fatores que estão impactando nesta posição, pois muitas vezes a situação socioeconômica e cultural, como dificuldade com outros filhos, desemprego, negação da paternidade, dentre outros, interferem significativamente na relação da mulher com a gravidez;

– Orientar sobre os direitos de sua gestação;

– Oferecer mediação de conflitos familiares – se a família não aceitar a gravidez;

– Informar sobre a possibilidade de entregar a criança para adoção;

– Explicar em quais situações o aborto é coberto por lei – em razão de estupro, risco de morte para a mãe ou se o feto for diagnosticado com anencefalia ou má formação do cérebro.

Importante lembrar: Aborto inseguro

Em todos os casos cobertos por lei o aborto somente será autorizado até a 22ª semana da gestação ou se o feto tiver até 500g. O profissional também deverá falar sobre os riscos de um aborto feito de forma insegura e das complicações clínicas que a mulher poderá ter. Deve alertar quanto à necessidade de procurar o serviço de saúde, durante a gravidez ou caso realize a interrupção da gravidez sob condições inseguras, sempre que apresentar algum sintoma físico que coloque a saúde ou até mesmo a vida da mulher em risco.

Vale ressaltar que o aborto clandestino, ou seja, o aborto inseguro, é a principal causa de mortalidade materna – a cada dois dias, uma mulher morre vítima de aborto inseguro no país. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dos 22 milhões de abortos ilegais realizados por ano no planeta, 98% acontecem nas nações em desenvolvimento. Além de causar a morte de quase 300 mil mulheres por ano — uma média de 800 por dia —, essa prática provoca um número ainda maior de internações hospitalares – são 250 mil internações no SUS (Sistema Único de Saúde) e estimativa de R$ 140 milhões gastos por conta de complicações pós-aborto.

Todo o apoio ao manter a gravidez

Mas se o desejo for manter a gestação, o SUS assegura às mulheres e crianças o direito à atenção humanizada durante o pré-natal, parto/nascimento, puerpério, abortamento, planejamento reprodutivo e atenção infantil em todos os serviços da rede. No caso da confirmação da gravidez, a mulher é automaticamente inserida no projeto Cegonha Carioca – programa da Secretaria Municipal de Saúde, lançado em 2011, com o objetivo de humanizar o parto e reduzir a mortalidade materno-infantil, para iniciar seu processo de acompanhamento do pré-natal.

Maternidade é uma escolha individual

Lembrando que a maternidade é uma escolha individual e que não uma obrigação. Para aquelas que desejarem se proteger para evitar uma gravidez acidental e também as doenças sexualmente transmissíveis, as unidades de saúde dispõem de serviços de orientação e métodos contraceptivos, distribuídos gratuitamente – pílulas anticoncepcionais orais, pílula do dia seguinte, o dispositivo intrauterino (DIU), injeção mensal e trimensal, além da distribuição de preservativos masculinos e femininos.

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