Febre Amarela: cuidado sim, mas sem alarde

Tem muita gente preocupada com a Febre Amarela. Têm razão, ela é mesmo perigosa. Mas, um aviso importante para quem mora no Rio é que o município não é área de ocorrência da doença até o momento, portanto, não é preciso se preocupar. Outra boa notícia é que, focada na prevenção, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS-RJ) está oferecendo a vacina, desde o dia 27 de março, nas 233 unidades de Atenção Primária – clínicas da família e centros municipais de saúde. Estamos todos atentos, principalmente as equipes das unidades, que passaram por treinamentos e atualizações para estarem aptas a oferecer o imunizante.

Desde o início do ano, 537.626 pessoas foram vacinadas contra a febre amarela no município do Rio. Dessas, 223.216 receberam a dose no último sábado 25 de março, dia de mobilização contra a doença. Somando às imunizadas desde 2008 – dentro do prazo de cobertura da vacina, que é de dez anos – já são mais de 1,5 milhão de cariocas protegidos.

A doença

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por mosquitos em áreas silvestres e urbanas. Os sintomas e consequências são iguais nos dois casos, sendo a única diferença o mosquito transmissor. No ciclo silvestre – que ocorre em áreas florestais – o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus, enquanto no meio urbano a é o mosquito Aedes aegypti – aquele mesmo, conhecido por todos nós, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

A transmissão da doença ocorre quando uma pessoa que nunca contraiu a febre amarela, nem tomou a vacina contra a doença, circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado, se tornando, a partir daí, fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. O Aedes que pica essa pessoa se torna também infectado, podendo passar a doença para outras pessoas da cidade através da picada.

Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Mas é preciso deixar claro que uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Sintomas

As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara. Geralmente, a pessoa infectada costuma aparentar um breve período de bem-estar (de até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, olhos e pele amarelados, manifestações hemorrágicas e cansaço intenso, agravando o estado do enfermo. A maioria dos infectados se recupera bem e, depois da primeira vez, não pega mais a doença.

Como se proteger

Se você nunca tomou a vacina ou se já tomou a primeira dose há mais de dez anos, vá à uma unidade básica de saúde.

Se você tem filhos: a primeira dose deve ser aos 9 meses e o reforço aos quatro anos. Para aqueles que tomaram a primeira dose com mais de 9 meses, o reforço também será aos 4 anos. Já os que têm, por exemplo, 3 anos e 11 meses, a segunda dose será dada com intervalo mínimo de 30 dias. O mesmo vale para a criança que recebe a primeira dose com 4 anos exatos: a segunda dose será aplicada 30 dias depois, com 4 anos e 1 mês. Para as crianças com mais de 4 anos, o esquema é uma dose, com reforço após o período de dez anos.

A vacina da febre amarela não é recomendada para gestantes, idosos acima de 60 anos, crianças menores de 9 meses e a pessoas que estejam tomando medicamentos imunossupressores e pessoas com imunodeficiências ou com alergia a algum componente da vacina ou a ovo e derivados.

Para quem vai viajar para áreas com risco de febre amarela, a recomendação é se imunizar com pelo menos 10 dias de antecedência.

As unidades funcionam de segunda a sexta, das 8h às 17h, e aos sábados das 8h ao meio-dia. Confira o local de vacinação mais próximo.