DEU CERTO! RAP da Saúde debate juventude e religiosidade

Presente na vida de muitos jovens, a religião é, muitas vezes, alvo de brincadeiras, críticas e até mesmo preconceitos. Em plena Jornada Mundial da Juventude, evento católico que acontece de 23 a 28 de julho no Rio de Janeiro com a presença do Papa Francisco, a Rede de Adolescentes e Jovens Promotores da Saúde (RAP da Saúde) discute o tema das religiosidades e suas interfaces com o protagonismo juvenil e a promoção da saúde. Os debates tiveram início dia 10 de julho, durante o encontro de formação, que toda quarta-feira reúne os jovens dinamizadores, facilitadores locais e assessores do RAP da Saúde, além de convidados externos.

Reunião do RAP da Saúde promoveu o debate sobre religiões e o respeito à diversidade religiosa: "respeitar o sagrado em todas crenças e credos é promover a saúde e a paz".

Reunião do RAP da Saúde promoveu o debate sobre religiões e o respeito à diversidade religiosa: “respeitar o sagrado em todas crenças e credos é promover a saúde e a paz”.

O encontro recebeu representantes de diversas religiões – ou sistemas de crenças: umbanda, espiritismo kardecista, catolicismo e yoga. A partir da exposição de cada uma dessas culturas, os jovens e adolescentes do RAP da Saúde participaram de um bate-papo informal e descontraído, sempre com bastante informação.

A aposta de que os jovens sairiam do encontro com um novo olhar sobre a crença do outro, respeitando as escolhas de cada um, se concretizou. Para Lívia Rodrigues, assessora técnica dos polos do RAP da Saúde, a experiência se mostrou muito positiva. “O encontro de formação foi o ponto de partida para os debates sobre o tema da religiosidade. O grupo pôde se expressar de forma respeitosa, tirar dúvidas e refletir sobre o tema de forma saudável”, avalia.

O respeito à cença do outro e a valorização das diversidades, inclusive a religiosa, foram a tônica do bate-papo.

O respeito à crença do outro e a valorização das diversidades, inclusive a religiosa, foram a tônica do bate-papo.

A roda de conversa teve início com a também assessora técnica dos polos do RAP da Saúde, Roberta Sales, que é umbandista. “A umbanda é uma religião genuinamente brasileira, criada pelos escravos, porém, com raízes africanas”, informa Roberta, que enfatizou a persistência do preconceito que os adeptos desta religião vem sofrendo desde a sua criação. “Sempre fomos vistos como ‘macumbeiros’ e, em alguns casos, como gente que faz ‘trabalhos para amarrar a vida de alguém’. Como toda forma de preconceito, este é um grande equívoco. É preciso muita informação para desfazer falsas ideias”, completa.

Verônica Lima, facilitadora local do polo Sulacap, trouxe para o grupo informações sobre o espiritismo kardecista – religião que tem no Brasil a maior concentração de adeptos. Ela falou sobre suas influências, práticas e recomendou o filme “Nosso Lar”, que conta um pouco sobre o processo de reencarnação a partir da história de André Luiz. Abordando o catolicismo, Luane Cerqueira, facilitadora local do polo Campo Grande, compartilhou com o grupo detalhes sobre a Jornada Mundial da Juventude e a recepção dos chamados ‘peregrinos’- pessoas de todo o mundo que estão no Rio de Janeiro para participar do evento.

Por fim, o professor de educação física Carlos Henrique Viard trouxe os conhecimentos da yoga para o grupo – uma prática saudável para o corpo e a mente, que já existe há mais de cinco mil anos. Na filosofia da yoga, a concepção ocidental de Deus pode ser chamada por diversos outros nomes. O essencial é a  ideia de que todos trazemos um Deus dentro de nós e que todos somos um. “Temos sempre que ver o lado bom da religião e nunca julgar as demais, pois o respeito precisa sempre estar em primeiro lugar”, defende Carlos Henrique.

Os jovens puderam fazer diversas perguntas e se sentiram à vontade para compartilhar suas práticas religiosas e as vivências que desfrutam em seus territórios. Referências culturais, como a novela “A Viagem” (1994) e os filmes “O Sexto Sentido” (1999) e “Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990)”, foram apontadas como as primeiras aproximações ao tema.

Marcos Diniz, dinamizador do polo Alemão e Penha, coloca a sua questão: “Quero entender como se lida com a morte de um ente querido sem que haja dor e sofrimento. Deve ser uma forte angústia, por outro lado é legal acreditar que seu familiar está num plano melhor”.

Para Joyce Rodrigues Ferreira, dinamizadora do polo Rocinha, o debate sobre diversidade religiosa foi bastante pertinente. “Este é um assunto presente na comunidade, na vida de cada um aqui. Mesmo que você não tenha uma religião ou crença, você é obrigado a conviver com elas, seja na vizinhança ou mesmo em casa. O fundamental é respeitar as diferenças”, conclui.

Saiba mais sobre o Rap da Saúde
— Conheça o Livro das Religiões dos autores Jostein Gaarder, Victor Hellern e Henry Notaker
— Acesse dados sobre o número de brasileiros adeptos às diferentes religiões, em cada Estado do país (Censo 2010, IBGE) 

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