É possível enfrentar as violências

“Muitos que convivem diariamente com a violência acham que ela é parte intrínseca da condição humana. Mas não é. A violência pode ser evitada. Governos, comunidades e indivíduos podem fazer a diferença”. A fala de Nelson Mandela dá o tom da publicação “Enfrentamento da Violência: Contribuições da Secretaria Municipal de Saúde para a cidade do Rio de Janeiro”, lançada nesta sexta-feira, 04 de novembro, durante a Conferência Mundial dos Médicos de Família (WONCA 2016), no Riocentro. Resultado de esforços intersetoriais, as experiências reunidas na publicação comprovam que, como defende Mandela, a cultura da paz pode prevalecer na sociedade.

O Núcleo de Promoção da Solidariedade e Prevenção das Violências e os Grupos Articuladores Regionais da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ) mostram, há 20 anos, que isso é possível. Por meio de articulações nos territórios, essas iniciativas vêm desenvolvendo estratégias exitosas de prevenção das violências e de atenção às pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade. As ações se traduzem em rodas de Terapia Comunitária, atividades de brincação, oficinas de mediação de conflitos e em projetos como Unidades e Comunidades Promotoras de Solidariedade; Mobilidade, Segurança e Cidadania no Trânsito; e a Rede de Adolescentes e Jovens Promotores de Saúde (RAP da Saúde).

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Acolhimento em todo o ciclo de vida

Um modelo de parto e nascimento que contribua para uma sociedade mais pacífica, em que não sejamos submetidos à violência logo ao nascer. Essa é a proposta que vêm norteando uma série de ações da SMS-RJ para a qualificação da assistência ao parto e ao nascimento, seguindo a perspectiva da humanização e da integralidade do cuidado.

Nesta trajetória, inúmeras reformas estruturais foram realizadas em maternidades municipais. Processos de trabalho foram reorientados, com a inclusão de um enfermeiro obstetra na assistência aos partos de baixo risco e o estímulo ao contato imediato entre mãe e bebê, com o início da amamentação ainda na sala de parto. O direito da gestante a um acompanhante de sua escolha hoje é garantido em todas as maternidades municipais. Tudo para garantir o direito de nascer sem violência.

Esse cuidado, que deve seguir ao longo de todo o ciclo de vida, é essencial no atendimento às vítimas das situações de violência que não puderam ser evitadas. O Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima de Violência do Hospital Municipal Souza Aguiar tem boas lições para compartilhar nesse sentido. O CAAC, como é conhecido, integra políticas de saúde, assistência social e segurança pública para promover a escuta qualificada e evitar o desgaste da vítima com repetições desnecessárias de relatos.

A mesma atenção é garantida às pessoas com mais anos de vida. A prevenção das violências contra idosos na rede de saúde também é foco de trabalho da SMS-RJ, por meio da Gerência de Saúde do Homem e da Pessoa Idosa. Duas estratégias foram adotadas nos últimos anos: os Fóruns de Saúde da Pessoa Idosa, direcionados aos profissionais da Atenção Primária, e as oficinas de mediação de conflitos para os integrantes do Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso. As experiências contribuíram para qualificar o processo de trabalho, capacitando os profissionais para perceber situações conflitivas e propor soluções, muitas vezes por meio da articulação de uma rede intersetorial.

Quer conhecer melhor essas e outras experiências no enfrentamento de violências?
Baixe a publicação “Enfrentamento da Violência: Contribuições da Secretaria Municipal de Saúde para a cidade do Rio de Janeiro” e inspire-se!

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