‘Bikes da Prevenção’ a favor da saúde e da inclusão

“Quando você mora na rua, você tem sua casa nas costas. Mas não somos como tartarugas, que têm o casco duro, nós somos caracóis, que têm a vida frágil.” É assim que Eduardo, usuário em acompanhamento no CAPSAD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), descreve a invisibilidade de quem mora nas ruas.

Hoje, ele é Agente de Promoção à Saúde e Redução de Danos do projeto ‘Bikes da Prevenção: nos entremeios da inclusão, equidade e cuidado’, e tem a oportunidade de tratar diferente quem vive na mesma situação que um dia já viveu. O projeto, da SMS-RJ, capacita usuários em tratamento nos serviços de Saúde Mental para a disseminação de informação sobre HIV, AIDS e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) em territórios de alto nível de vulnerabilidade.

Sempre acompanhados de um preceptor, eles percorrem de bicicleta cenas de uso de drogas e casas de entretenimento adulto, conversando, tirando dúvidas e entregando itens de prevenção, como gel lubrificante e preservativos, femininos e masculinos.

“A proposta é facilitar o acesso das populações mais vulneráveis às IST aos insumos necessários para preveni-las. Além disso, a capacitação e o empoderamento dos Agentes de Promoção à Saúde e Redução de Danos propicia formação e trabalho para quem não tem acesso a essas oportunidades – um grande passo para recuperação da cidadania”, apresenta Marcia Zattar, gerente da Área Técnica de Hepatites Virais da SMS-Rio.

“Hoje, posso mostrar para outras pessoas modos de se cuidar, como se proteger, como não alastrar alguma doença que se tenha. Nunca recebi essa orientação e hoje não só aprendi para mim, como posso passar adiante”, finaliza Eduardo.

Por onde andam as bicicletas

O itinerário da Bike é dinâmico e, na primeira semana, contemplou locais como Bangu, Realengo e Tijuca, o trilho do trem na Estação Padre Miguel, a rua Augusto Severo, na Glória, e os complexos da Maré e de Manguinhos, além de boates do Centro da cidade.

Nas semanas que se seguirem, o percurso será definido de acordo com as impressões colhidas nos primeiros circuitos. “A essência do projeto é estar nas ruas, chegar de fato a uma população tão estigmatizada e marginalizada e conversar abertamente sobre as possibilidades de prevenção à saúde e redução de danos, sem preconceitos ou moralismos”, explica Marcia Zattar, gerente da Área Técnica de Hepatites Virais da SMS-Rio, e uma das responsáveis pelo projeto.

Inspiração para o projeto

A iniciativa tem como uma das principais referências o Projeto Caminhos da Prevenção, da cidade de São Paulo, com populações em situação de vulnerabilidade em relação à exposição ao vírus HIV e a outras IST, além de experiências nos Programas de Redução de Danos financiados pelo Ministério da Saúde na cidade do Rio de Janeiro. O Projeto Caminhos da Prevenção é uma das 13 frentes de trabalho do Programa de Braços Abertos (DBA), pioneiro no Brasil na estratégia para o cuidado de usuários de álcool e drogas em situação de vulnerabilidade.

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