Atenção: Aedes aegypti na área

O verão chega e o carioca logo se lembra do sol, da praia, do parque e… do Aedes aegypti, inseto transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. O mosquito, porém, não completa a lista das coisas boas da estação, por isso toda atenção é bem vinda. Para seguirmos com saúde e alegria durante o ano todo, devemos entender melhor sobre ele, nos prevenindo das viroses que acometem populações do mundo todo e podem causar até mesmo a morte.

Verão: estação perfeita (para nós e para eles)
Se o verão é bom para os cariocas, para o Aedes é ainda melhor. As altas temperaturas e a intensificação das chuvas formam o cenário perfeito para a eclosão dos ovos do mosquito.  Pela alta densidade populacional e ocupação desordenada do espaço urbano, o Rio de Janeiro acaba sendo também o espaço ideal para a proliferação do vetor, com maiores oportunidades das fêmeas se alimentarem e encontrarem criadouros para desova.

Lixo a céu aberto, pequenos reservatórios como vasos de plantas, calhas entupidas, garrafas, bandejas de ar-condicionado e poços de elevador, especialmente com água limpa e parada, são exemplos daquilo que chamamos de criadouros, locais propícios para que os ovos sejam depositados e se tornem mosquitos adultos.  Grandes reservatórios, como caixas d’água, galões e tonéis são criadouros ainda mais perigosos, sendo responsáveis, segundo a Fiocruz, pela produção de quase 70% do total de mosquitos no Estado do Rio de Janeiro.

Aedes pelo mundo
Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que o Aedes aegypti é originário do Egito e veio do continente africano para o americano por meio de embarcações de tráfico de escravos pelo Brasil. Tempos depois, o mosquito foi identificado como transmissor da Febre Amarela e precisou de fortes medidas de controle e prevenção para ser erradicado.

A conquista, entretanto, não foi de toda a América e o Aedes aegypti seguiu presente em locais como Venezuela, sul dos Estados Unidos, Guianas, Suriname, Caribe e Cuba, voltando a aparecer no Brasil através dos deslocamentos humanos por terra e por mar, chamados ‘dispersão passiva dos vetores’.

Depois de sua reinserção, o Aedes aegypti no Brasil nunca mais foi erradicado e hoje é encontrado em todos os estados brasileiros, sendo vetor de novas doenças e responsável por graves epidemias.

Reprodução do mosquito e a fêmea como vetor
O acasalamento do Aedes aegypti se dá nos primeiros dias depois que o mosquito chega à fase adulta e para que a reprodução seja concretizada é necessária apenas uma cópula, uma vez que a própria fêmea é capaz de guardar o esperma do macho em suas estruturas chamadas espermotecas. É após a cópula que nós, seres humanos, entramos na história. Nesse momento, as fêmeas precisam se alimentar do nosso sangue através da picada (hematofagia) para que haja o desenvolvimento dos ovos e sua maturação nos ovários.

Cerca de três dias após a ingestão do sangue humano, a fêmea coloca seus ovos e os distribuí por diversos criadouros, garantindo a dispersão e preservação da espécie.

A fêmea infectada pelo vírus da dengue, zika, chikungunya vira vetor permanente da infecção, sendo capaz de transmitir a doença para os seres humanos através de suas glândulas salivares no momento da picada. Uma fêmea infectada pode também infectar suas larvas filhas no momento da postura de ovos, processo chamado de transmissão vertical.

Após a eclosão do ovo, o mosquito pode chegar à fase adulta dentro de um período de 10 dias. Por isso, a eliminação de criadouros deve ser realizada pelo menos uma vez por semana para que o ciclo de vida do mosquito seja interrompido.

Agora é sua vez
Agora que já conhece um pouco mais sobre o Aedes aegypti, você tem a possibilidade de evitar as viroses por ele transmitidas. Por isso, não deixe água parada, lave, com escova ou palha de aço, as paredes dos recipientes que contenham água, faça furos em potinhos e pneus para que não acumulem água, mantenha lixeiras fechadas. Não deixe que os ovos – aqueles que não podemos ver a olho nu – virem mosquitos que serão vetores de doenças para todos nós. Faça sua parte!

 

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