Livro mostra o lado humano da Atenção Primária

“Ninguém pode se banhar duas vezes no mesmo rio, pois quando se entra novamente não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” É essa frase de Heráclito, filósofo pré-socrático, que dá norte ao Livro ‘O Rio em Curso – Uma Contribuição da Residência em Enfermagem em Saúde da Família para o SUS’, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio) e lançado na última quarta-feira, no 20º Congresso Brasileiro de Enfermagem.

As mudanças ocorridas na vida dos residentes do PRESF – Programa de Residência em Enfermagem em Saúde da Família – e de cada usuário que foi atendido por eles nas Unidades Básicas de Saúde foram a inspiração para o conceito do livro, que reúne em forma de crônicas textos escritos pelos próprios residentes de casos que tenham marcado suas experiências de estudo-aprendizagem durante a Residência.

As histórias mostram, em primeiro lugar, um SUS humano e papel fundamental do enfermeiro na Atenção Primária. “Se o usuário chegar atrasado na consulta, o problema é só dele? Não, é um problema de todos os envolvidos. É papel do profissional da Atenção Primária perguntar porque ele chegou atrasado, o que aconteceu no seu dia, como é o seu cotidiano. A Atenção Primária olha o indivíduo como um todo e a Residência tem esse objetivo, apurar o olhar do aluno para ver a pessoa não só como doença ou um número, mas como um ser humano integral, que tem uma história”. Diz Ana Carolina Tavares, Coordenadora do PRESF.

Em parceria com as universidades UFRJ, UNIGRANRIO e UERJ, responsáveis pelos conteúdos teóricos, o Programa de Residência em Enfermagem em Saúde da Família Residência possibilita que as Unidades Básicas de Saúde (Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde) sejam uma extensão das salas de aula e um espaço de formação permanente, em que residentes e profissionais aprendem, refletem suas práticas e impactam diretamente na qualidade dos serviços prestados à população.

Com um eixo fixo teórico – que engloba metodologias de pesquisa, políticas públicas em saúde, dentre outros – e outro flexível, elaborado coletivamente a partir do próprio processo de aprendizagem e prática, a residência não é igual sempre. Ela segue o fluxo dos próprios participantes, que entram em contato com as demandas no dia a dia das unidades e identificam, nas consultas, salas de espera, visitas domiciliares e convivência nas unidades e nos territórios, os conteúdos necessários à sua formação.

Para ter acesso ao livro na versão digital, clique aqui.

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