Lixo nosso de cada dia

Somos 6,5 milhões de cariocas. Todos os dias, levantamos, transitamos pela cidade para estudar, trabalhar ou nos relacionar, de alguma forma, com esse coletivo de pessoas, organizações, estabelecimentos, ambientes e paisagens. Nessa rotina, produzimos, diariamente, 9.227 toneladas de resíduos sólidos. Isso mesmo: nove milhões, duzentos e vinte e sete mil quilos de lixo por dia. E o que fazemos com isso? De acordo com pesquisa realizada este ano pelo jornal O Globo, apenas 1,9% de todo lixo produzido no Rio é destinado à reciclagem, embora 113 dos 160 bairros da cidade contem com a coleta seletiva porta-a-porta da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB).

Essa situação nada saudável leva a diversos problemas, como a sobrecarga de aterros sanitários, o entupimento das redes de esgoto, enchentes, a contaminação do solo, das águas e do ar, a proliferação de insetos que transmitem doenças, como o mosquito Aedes aegypti, vetor de dengue, zika e chikungunya, e à ocorrência de outros agravos à saúde, como leptospirose, tétano, cólera, problemas de pele e verminoses.

Vamos mudar essa realidade?

O primeiro passo é conhecer melhor o nosso lixo. Ele revela muito sobre nós, como conta Luis Fernando Veríssimo em sua crônica “O Lixo”, sobre nossa relação com este subproduto da vida humana: “Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social”. É ou não é? Os dados da COMLURB mostram que sim: 53,1% do lixo recolhido pela Companhia vêm de domicílios; 30,7% da limpeza urbana; 9,3% dos chamados “grandes geradores”, como a construção civil; 5,4% da Rede Municipal de Saúde, de Remoção Gratuita e de Emergência; e 1,5% de resíduos públicos casuais.

A resposta a um problema coletivo desse porte depende da cooperação de todos. Afinal, se 53,1% dos resíduos sólidos do Rio são produzidos nas residências e 113 dos 160 bairros são atendidos pela coleta seletiva da COMLURB, está em nossas mãos – e em nossa consciência – ultrapassar a marca de 1,9% de lixo reciclado.

Quer fazer parte da solução?

Conheça as orientações da COMLURB para a coleta seletiva:

  • O material reciclável deve ser embalado em sacos plásticos transparentes ou translúcidos (azul e verde), para que o gari possa visualizar o seu conteúdo e detectar a possível presença de materiais orgânicos, cortantes ou perfurantes.
  • Sacos pretos não devem ser utilizados para o descarte de materiais recicláveis, pois impedem que o gari visualize o seu conteúdo.
  • Para garantir a qualidade dos recicláveis basta uma rápida lavagem. Com esse pequeno gesto você garante que o reciclável limpo aumente a produção das atividades dos catadores.
  • O resíduo orgânico, além de representar risco à saúde dos catadores, contamina todo o material potencialmente reciclável, inviabilizando o seu aproveitamento e, consequentemente, a sua reutilização.

Desconto na conta de luz

Além de promover a saúde das pessoas e da cidade, a reciclagem pode dar descontos na conta de luz. É o que propõe o programa Light Recicla, voltado a moradores das comunidades cariocas. Para participar, é fácil:

  • Quanto mais material reciclável for trocado, maior o desconto na conta. Você pode levar seu material reciclável quantas vezes desejar. A cada pesagem, um novo desconto.
  • O projeto recebe metal, papel, plástico, vidro e óleo vegetal. O material deve ser entregue limpo e separado nos ecopontos.

Metas para 2020

Na cidade do Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) é o órgão central do Sistema Municipal de Gestão Ambiental. Desde 2009, a sua Coordenadoria de Resíduos Sólidos é a instância responsável por coordenar e executar ações para a gestão adequada dos resíduos sólidos, missão que é realizada em articulação com parceiros governamentais, como a COMLURB, e outras entidades, como a Light.

Diante de tantos desafios, em novembro de 2016, Coordenadoria de Resíduos Sólidos do Rio renovou o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos para o período de 2017 a 2020, em parceria com a COMLURB e a Secretaria Municipal de Conservação (SECONSERVA). Os principais objetivos são proteger a saúde pública e a qualidade do meio ambiente; incentivar a reutilização, a reciclagem e a recuperação dos resíduos sólidos urbanos, reduzindo a quantidade de rejeitos encaminhada a aterros sanitários; garantir a adequada disposição final dos resíduos mediante utilização de técnicas ambientalmente sustentáveis e propiciadoras do aproveitamento de energia; definir o papel do setor privado e da sociedade civil na gestão dos resíduos e suas responsabilidades no cumprimento dos objetivos da política de meio ambiente da cidade.

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