Mais Direitos, Menos Zika

Construir uma família, ter uma casa própria, ser defensora pública, fazer pós-graduação em moda, morar na França, estudar enfermagem, ser bailarino, se formar em artes cênicas, fazer mestrado em saúde pública, se formar em professor de história, ser uma pessoa feliz…

Foi isso e muito mais que os jovens e adolescentes do RAP da Saúde apontaram na roda de conversa “Eu quero! Mais Direitos, Menos Zika” como seus desejos para daqui a cinco anos. Para eles, nem o céu é o limite. Afinal, conhecem seus direitos, entendem seu valor e lutam pelos seus sonhos. Com esse espírito, a atividade promovida no dia 19 de outubro pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), buscou chamar a atenção dos participantes do Programa sobre o que eles têm potencial de fazer hoje.

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A roda de conversa foi um momento para dialogar com os adolescentes e jovens sobre a zika em seus territórios, ouvindo suas impressões e apontando caminhos para a prevenção e conscientização. Rafael Pinheiro, da Superintendência de Vigilância em Saúde da SMS-RJ, apresentou o panorama de dengue, zika e chikungunya na cidade e destacou a importância da participação comunitária no enfrentamento do problema.

“O RAP da Saúde tem uma importância enorme nesse contexto, pois a promoção da saúde e a educação são fundamentais. Repelente é uma estratégia apenas individual, não contempla o coletivo. Precisamos avançar nas questões coletivas e conscientizar as pessoas sobre o risco a que estão expostas e a necessidade de criar ambientes saudáveis e livres do mosquito”, afirmou Pinheiro.

Atenção para além do mosquito

Não é só o mosquito Aedes aegypti, vetor também da dengue e do chikungunya, que transmite o vírus zika. A transmissão ocorre por via sexual, portanto, todo cuidado é pouco. Além de eliminar focos do mosquito, deve-se reforçar o uso de preservativo durante as relações sexuais.

É preciso proteger as mulheres grávidas, especialmente as em situação de vulnerabilidade, afinal, a infecção de gestantes pode levar ao desenvolvimento de bebês com microcefalia – e a toda uma geração de pessoas com necessidades especiais. E esta é uma responsabilidade de todos: homens, mulheres, profissionais de saúde e toda a sociedade.

Com atenção a essas questões, o UNFPA desenvolveu a campanha “Mais Direitos, Menos Zika”, apresentada aos jovens do RAP da Saúde por Anna Lúcia Cunha e Roger Nascimento, Oficial de Programa e Consultor de Saúde Sexual e Reprodutiva do UNFPA, respectivamente.

Com foco na produção de materiais educativos e na mobilização comunitária, a campanha “Mais Direitos, Menos Zika” visa conscientizar a respeito dos direitos à saúde sexual e reprodutiva, ao acesso à informação e aos métodos contraceptivos.  A iniciativa também pretende discutir sobre as necessidades, demandas e expectativas de mulheres e famílias diretamente afetadas pela doença, os fatores evitáveis e os desfechos que caracterizam a emergência sanitária, que contribuem com o agravamento da vulnerabilidade das mulheres negras, por exemplo.

O tema também levrap-2anta as questões prioritárias para meninas na faixa etária dos 10 aos 19 anos, como educação de qualidade, saúde sexual e reprodutiva, desenvolvimento de habilidades para a vida e de autonomia e resiliência, além da responsabilidade dos meninos em relação à saúde, estimulando o uso do preservativo e o exercício consciente da paternidade.

Para promover o uso de preservativo como forma de prevenir a transmissão do vírus zika, o grupo de funk carioca Dream Team do Passinho foi convidado para uma parceria musical. Nessa hora, é claro, os jovens do RAP da Saúde se empolgaram, elaborando ideias para levar a música para as unidades de saúde e trabalhar o tema em seus territórios. Esses jovens e adolescentes, que daqui a cinco anos estarão realizando outros sonhos pelo mundo, hoje levarão conscientização e saúde para toda a cidade, por mais direitos e menos zika.

Se liga na música e espalha pra geral