Maternidade é escolha

Desde a infância, as meninas são presenteadas com bonecas e estimuladas a brincar de ‘casinha’, aprendendo sobre como cuidar de filhos e de um lar. Essa construção social, atrelada às características biológicas, que possibilitam que mulheres engravidem e gerem vida, fez com que a maternidade fosse vista como uma obrigação, desde muito tempo, em diferentes sociedades.

Entretanto, o movimento feminista, que reivindica direitos civis como voto, divórcio, educação e trabalho, trilha o caminho também da luta pelos direitos sexuais e reprodutivos, levantando a necessidade das mulheres gerirem seus próprios corpos, viverem sua sexualidade com liberdade e a maternidade como escolha, e não como destino.

Planejamento familiar e reprodutivo

No Brasil, a lei do planejamento familiar e reprodutivo, de 12 de janeiro de 1996 , traz tais questões para o âmbito da saúde pública. A lei permite que mulheres, homens e o casal planejem sua vida reprodutiva e regulamenta o acesso aos métodos contraceptivos e recursos para fecundidade e infertilidade, colocando em pauta a responsabilidade do Estado em ofertar atenção integral à saúde, em todos os ciclos de vida.

Quando o assunto é planejamento reprodutivo, emerge imediatamente a questão de gênero e violência. É preciso considerar que nem toda gravidez é planejada e desejada. E, muitas vezes, mesmo as planejadas não foram aceitas, em função das situações de submissão e violência estabelecidas nas relações entre homens e mulheres. Então, o direito reprodutivo também é uma forma de discutir o papel da mulher na sociedade, sua autonomia e a busca pela superação da desigualdade de gênero, que impacta diretamente nas questões de saúde pública.

Atenção Básica

Na rede municipal de saúde do Rio, o atendimento na Atenção Básica é uma oportunidade do profissional conversar com cada mulher, cada homem e com cada casal, para ofertar métodos contraceptivos e conversar sobre projeções de futuro, violências, prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), aborto, mortalidade materna e fetal, entre outros temas que interferem na vida e na saúde dessas mulheres e da população como um todo.

“O planejamento reprodutivo é um elo importante para a qualidade de vida da mulher, da família e do casal. Ele considera a individualidade de cada um, entendendo que não existe um padrão de família ou de comportamento, e dá direito à cada pessoa optar por aquilo que deseja para o futuro de sua vida.” Diz Márcia Soares Vieira, Assistente Social da gerência de Saúde da Mulher da SMS-RJ.

A abordagem sobre o planejamento reprodutivo é feita em todo atendimento da unidade de saúde. Procure a mais próxima de sua casa. Os profissionais estão disponíveis para ajudar, tirar dúvidas e apoiar cada cidadão em sua vida sexual e reprodutiva.