Parar de fumar é impulso para uma vida mais saudável

A decisão de parar de fumar não é fácil, mas está longe de ser impossível. Tanto é que, nos últimos 10 anos, o número de fumantes adultos caiu 33,8% no Brasil, de acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2015). A conquista reforça o potencial das políticas públicas em motivar pessoas a abandonarem o cigarro e a adotarem hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física. As experiências da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio) na área, desenvolvidas pelo Programa de Controle de Tabagismo, foram compartilhadas na Conferência Mundial dos Médicos de Família, o WONCA 2016, realizada de 02 a 06 de novembro no Riocentro.

A psicóloga Ana Helena Rissin, coordenadora do Programa de Controle de Tabagismo da SMS-Rio, apresentou os resultados da iniciativa, que hoje totaliza 183 centros de tratamento em unidades de saúde cariocas. Um dos estudos ressalta a importância da equipe multidisciplinar para o sucesso de programas de controle do tabagismo. Realizada por Ana Helena, Roseli Cruz, Luciana Soares Ribeiro e Fabiana Renne, a pesquisa “A abordagem multiprofissional nas capacitações para o atendimento ao fumante na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro” analisa o perfil dos profissionais de saúde que foram capacitados pelo Programa para atuar na prevenção e na cessação do problema.

Os resultados mostram que, desde 2009, a SMS-Rio vem intensificando a abordagem multiprofissional das equipes que participam do Programa de Controle do Tabagismo. Além de enfermeiros e médicos, a pesquisa constatou o envolvimento cada vez maior de cirurgiões-dentista, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde, técnicos em enfermagem, técnicos em saúde bucal e profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf). “O envolvimento de uma equipe multiprofissional no tratamento do fumante possibilita diferentes olhares e abordagens sobre o indivíduo. Assim, podemos aproveitar melhor o momento em que ele decide cuidar da própria saúde”, explica Ana Helena.

Estilo de vida

De acordo com a psicóloga, ao realizar o tratamento oferecido pelo Programa de Controle do Tabagismo, a pessoa que deseja parar de fumar passa a compreender a dependência estabelecida com o cigarro e suas relações com a sua rotina diária. Assim, surge o interesse por novos hábitos. “Quem quer deixar de fumar e procura ajuda numa unidade de saúde já está mais cuidadoso e atento à sua qualidade vida, portanto, mais receptivo a novos hábitos, como atividade física, grupos de convivência e práticas alternativas”, aponta Ana Helena.

A dinâmica é comprovada pelo estudo “Tratamento do Fumante na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro: impulso para mudança de estilo de vida”, também apresentado no WONCA 2016, que contou com a colaboração de Junia Cardoso e Márcia Torres. A partir da análise do relato dos profissionais que tratam fumantes, apresentados em reuniões periódicas para a discussão de casos, as pesquisadoras confirmaram que o tratamento do tabagismo é um período sensível para mudanças de comportamento e uma oportunidade para a adoção de um estilo de vida mais saudável.

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