Paternidade no SUS: do Rio para todo o país

A experiência pioneira da cidade do Rio de Janeiro em promover a valorização da paternidade cuidadora como política pública  está contribuindo para a implantação da Estratégia Pré-Natal do Parceiro (EPNP) no Sistema Único de Saúde (SUS). Em uma iniciativa da Coordenação Nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, profissionais de saúde de diferentes regiões do país que desejem implantar a EPNP em seus territórios visitarão Unidades no Rio de Janeiro, como forma de conhecer, dialogar e ver de perto as práticas desenvolvidas.

Um total de 75 profissionais de saúde verão de perto a duas Unidades de Saúde Parceiras do Pai no Rio: a Clínica da Família Santa Marta, em Botafogo, e o Hospital Maternidade Carmela Dutra, em Lins de Vasconcelos. As primeiras visitas foram  realizadas dias 7 e 8 de agosto, com profissionais de saúde do Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. As próximas acontecerão dias 5 e 6 de setembro, 19 e 20 de outubro, 9 e 10 de novembro e 7 e 8 de dezembro, com profissionais de outros estados.

“Além de promover o exercício da paternidade cuidadora, a EPNP visa ampliar o acesso dos homens à Atenção Básica, integrando-os à lógica dos serviços de saúde e facilitando a atualização da carteira de vacinação e a realização de exames preventivos de rotina, como HIV, sífilis, hepatites, hipertensão e diabetes. As duas unidades de saúde visitadas são referência no envolvimento do pai ou parceiro nas atividades do pré-natal, parto, pós-parto e desenvolvimento da criança e certamente irão inspirar os profissionais de saúde dos outros estados”, conta Michelle Leite da Silva, da Coordenação Nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde.

Paternidade e Cuidado

A interface entre paternidade e cuidado é um dos eixos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), lançada em 2009 pelo Ministério da Saúde para ampliar o acesso de homens aos serviços de saúde. A principal orientação é reconhecer o pai como sujeito de cuidado e dar visibilidade ao homem nos serviços de saúde. Nesse sentido, são recomendadas ações para envolver o homem – pai ou parceiro – em todo o processo de planejamento reprodutivo, gestação, parto, puerpério e desenvolvimento infantil, proporcionando oportunidades para criação de vínculos familiares mais fortes e saudáveis.

No Rio de Janeiro, desde 2002, o Comitê Vida – grupo intersetorial coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio), o Instituto Promundo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – articulam iniciativas como o Mês de Valorização da Paternidade, comemorado em agosto, que cria oportunidades para reflexões e debates sobre o tema.

 

“O cuidado paterno  tem repercussão na saúde e no bem-estar  de toda a família. As unidades de saúde têm papel fundamental no acolhimento, no preparo dos pais, no fortalecimento de vínculos. Daí a importância do trabalho desenvolvido pelas Unidades de Saúde Parceiras do Pai. A Clínica da Família Santa Marta e o Hospital Maternidade Carmela Dutra participam ativamente dessa mobilização e desenvolvem estratégias para envolver o pai no cuidado dos filhos desde o pré-natal”, reconhece Viviane Manso Castello Branco, médica da SMS-Rio e idealizadora do Mês de Valorização da Paternidade e da iniciativa Unidade de Saúde Parceira do Pai.