Por um Rio sem arboviroses

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Verão é tempo de redobrar o cuidado na eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti, inseto vetor de um conjunto de doenças conhecidas como arboviroses. Este ano, o desafio é triplo: dengue, zika e chikungunya já circulam em todo o território nacional e, também, em nossa cidade. Enfrentar esta tríplice epidemia requer ações intersetoriais e o comprometimento de todos. Nesse sentido, as secretarias municipais de Saúde, de Educação, Esportes e Lazer e de Assistência Social e Direitos Humanos se uniram à Fiocruz para garantir um Rio de Janeiro sem mosquito.

Na última terça-feira, 31 de janeiro, especialistas das quatro instituições estiveram reunidos na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) durante o Seminário de Prevenção e Combate às Arboviroses, que discutiu o Plano Municipal de Enfrentamento ao Aedes, com lançamento previsto para 15 de fevereiro. A mesa de abertura contou com a participação da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e dos secretários municipais de Saúde, Carlos Eduardo de Mattos, de Educação, Esportes e Lazer, César de Queiroz Benjamin, e de Assistência Social e Direitos Humanos, Maria Teresa Bergher. “Vamos reunir todo o corpo técnico da Prefeitura e trabalhar junto à Fiocruz para garantir saúde à população. Com esperança – e muito trabalho – vamos juntos vencer o mosquito Aedes aegypti”, afirmou Crivella.

Retrato carioca

Na cidade do Rio de Janeiro, alguns territórios são mais vulneráveis à ocorrência de dengue, zika e chikungunya. Em 2016, as Áreas Programáticas 3.1, 3.2, 3.3, 4.0 e 5.1 apresentaram os maiores índices de prevalência das doenças. São as regiões da cidade onde estão localizados os bairros Bonsucesso, Penha, Jardim América, Ilha do Governador, Vigário Geral, Parada de Lucas, Abolição, Água Santa, Cachambi, Del Castilho, Maria da Graça, Méier, Acari, Anchieta, Coelho Neto, Costa Barros, Pavuna, Vila Kosmos, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, Bangu, Deodoro, Jardim Sulacap, Magalhães Bastos, Padre Miguel, dentre outros.

“Esses territórios, que abrigam grandes complexos, como o da Maré e o Alemão, concentram a maior parte dos moradores da cidade e combinam grande densidade populacional com ocupação desordenada do espaço urbano – características favorecem a proliferação do Aedes aegypti e, consequentemente, a ocorrência das arboviroses”, explicou a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio), Cristina Lemos. De acordo com a superintendente, o principal desafio a ser enfrentado em 2017 é a chikungunya, sobretudo na atenção aos pacientes idosos e com condições pré-existentes.

O pesquisador Renato Castiglia Feitosa, da Ensp/Fiocruz, chamou a atenção para os riscos associados à falta de saneameto básico – um problema estrutural da cidade. “Para enfrentar de fato o Aedes aegypti é imprescindível uma política de saneamento básico, que regularize não só a coleta e o tratamento de esgoto, mas também o abastecimento de água potável, o manejo de água pluvial e a limpeza urbana”, destacou.

O secretário municipal de Saúde ressaltou a importância da intersetorialidade no controle do Aedes aegypti. “O esforço conjunto entre as três secretarias municipais já gerou análises técnicas estratégicas, que irão subsidiar nosso plano de ação. Assim, poderemos atuar especificamente sobre as necessidades de cada território. Se na Zona Sul o principal criadouro do inseto vetor é o ralo; em Madureira e Cascadura, o vaso de planta; e, em Bangu, o lixo acumulado, vamos usar essas informações a nosso favor e garantir que, no Rio de Janeiro, mosquito não se cria”, orientou.

Boas notícias

Enfrentar dengue, zika e chikungunya simultaneamente não é uma tarefa fácil. Mas a cidade do Rio de Janeiro está preparada. O município conta com 2.450 Agentes de Vigilância em Saúde, responsáveis pela inspeção de domicílios e aplicação de larvicidas, mais de seis mil Agentes Comunitários de Saúde, que são muito próximos da população e têm papel-chave na conscientização, e 240 multiplicadores da Rede de Adolescentes e Jovens Promotores da Saúde (RAP da Saúde), que levam informações importantes a todos os cantos da cidade.

“O trabalho contínuo desses profissionais traz resultados concretos para a prevenção das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Em janeiro deste ano, o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) ficou em 0,97 – o mais baixo para o período, desde 2008. Além disso, hoje, a cobertura da Estratégia Saúde da Família na cidade do Rio de Janeiro é de 70%. Esta conquista garante que todas as pessoas que precisarem serão atendidas, acolhidas e cuidadas”, informou Cristina Lemos.

Aqui mosquito não se cria

O Seminário de Prevenção e Combate às Arboviroses também apresentou as iniciativas da Prefeitura do Rio para conscientizar a população sobre a eliminação de possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti. A superintendente de Promoção da Saúde da SMS-Rio, Cristina Boaretto, anunciou o lançamento da campanha Aqui mosquito não se cria na próxima sexta-feira, 03 de fevereiro, em um grande encontro com 1.500 profissionais da Rede Municipal de Educação.

“O aplicativo Aqui mosquito não se cria é uma ferramenta prática e efetiva para auxiliar a rotina de cuidados com a casa. Usando o celular, cada pessoa poderá escolher um dia na semana para receber um lembrete e, então, realizar tarefas pré-definidas, de acordo com os os reservatórios de água que mantém em casa. Em um hotsite será possível tirar dúvidas e obter mais informações”, descreveu Cristina Boaretto.

Na semana seguinte, de 06 a 11 de fevereiro, mais de 20 mil jovens vão participar de mutirões em toda a cidade. A ação – coordenada pelo Grupo de Trabalho Intersetorial composto por membros das três secretarias municipais – prevê a mobilização de escolas, estudantes, professores, pais e responsáveis, que irão percorrer os territórios para eliminar focos do mosquito.

A MultiRio, a mídia educativa da cidade, compartilhou a série de vídeos, animações, jogos e materiais educativos que disponibiliza para professores da Rede Municipal de Educação. A proposta é utilizar linguagens e formatos atrativos a crianças e adolescentes para sensibilizá-los em relação ao cuidado com a casa, o bairro e a cidade. Todo o material está disponível em http://www.multirio.rj.gov.br.