Presente e invisível: as diversas faces do Racismo Institucional

Algumas frases, expressões ou piadas podem parecer naturais para quem fala, porém, agressivas, preconceituosas ou discriminatórias para quem as ouvem. É assim que o racismo acontece em diversos espaços, inclusive dentro de instituições. O Racismo Estrutural é definido por uma programação social e ideológica em que todos estão submetidos. As pessoas reproduzem atitudes racistas, consciente ou inconscientemente, que, em certos casos, são opostas à sua opinião. Existe também o Racismo Institucional que é a incapacidade coletiva de uma organização em prover um serviço apropriado ou profissional às pessoas devido à sua cor, cultura ou origem étnica.

Quando se trata de saúde, o Racismo Institucional também causa estragos. E não são poucos. Segundo o Ministério da Saúde, as mulheres negras recebem menos tempo de atendimento médico, têm menos registro nas consultas de pré-natal e os maiores índices de mortalidade materna – 60% dos casos ocorrem entre mulheres negras e muitas vezes por causas evitáveis. São inúmeros os relatos feitos por mulheres negras de maus-tratos ou de não recebimento do tratamento adequado. Já em relação aos homens, o racismo é sentido pelos constantes casos de revistas policiais injustificáveis ou nos altos índices de homicídio – de cada 100 homens assassinados no Brasil, 71 são pessoasdiq negras. Informações do Atlas de Violência, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Inea), revela que homens negros e de baixa renda são as principais vítimas de mortes violentas no país, sendo a população negra correspondente a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios.

Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/2013), avaliou os aspectos da saúde da população brasileira. De acordo com os dados, 9,5% da população branca sai de uma unidade hospitalar com sentimento de discriminação, já entre os negros este índice sobe para 11,9% e pardos para 11,4%. Os dados também demostram que os negros têm desvantagens em todos os quesitos pesquisados pela PNS: consultam menos médicos e dentistas, têm menos acesso a remédios, tiveram mais dengue, mais problemas de saúde que impedem alimentação e têm menos plano de saúde, além de usarem menos a escova de dente, pasta e fio dental.

Combate ao Racismo Institucional dentro do SUS

O Sistema Único de Saúde trabalha para o enfrentamento ao Racismo Institucional e pela consciência dos profissionais da rede pública sobre o combate a toda forma de discriminação. O racismo é tão presente em nossa sociedade que essa não é uma tarefa fácil. Mas está lá, no princípio de equidade do SUS, e temos o dever de cumpri-lo e de oferecer a todos um tratamento igualitário e levando em consideração as necessidades que cada pessoa apresentar.

Não fique calado. Denuncie!

O direito à saúde é universal, conforme previsto no artigo 196 da Constituição Federal e todo ato discriminatório precisa ser denunciado. Compreende-se por discriminação racial qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultura ou qualquer outra área da vida pública.

Se você presenciar ou vivenciar algum ato discriminatório ou racismo institucional não deixe de denunciar. Para isso existe o Disque saúde 136 – canal do Ministério da Saúde que oferece informações sobre as doenças mais incidentes na população negra. Os cariocas também podem ligar para o 1746 para denunciar discriminações e maus-tratos sofridos em atendimento dentro das unidades de saúde do município.

 

 

 

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